Abril, 21
“Cumpri a minha palavra; morro pela liberdade”, disse Tiradentes no cadafalso. A data de amanha dispensa comentários. O que porem é pouco conhecido, é que no Rio Grande do Sul existe larga parentela do glorioso mártir da Inconfidência Mineira. Narremos rapidamente o fato, segundo as velhas tradições conservadas pela família descendente: preso e condenado Tiradentes, em 1792, o seu primo, Lino da Silveira Xavier, sargento de uma milícia da época, também um dos conjurados da Inconfidência, embora não tendo nela tomado qualquer papel saliente, vendo-se perseguido pelo fracasso da Conjuração, fugiu de Minas, embrenhando-se nas florestas, a pé e sozinho em direção ao sul do país.
Nessa peregrinação, fugindo sempre ao contato com qualquer pessoa que pudesse denunciá-lo, Lino da Silva Xavier, bem moço ainda, veio dar a Santa Catarina, domiciliando-se em terras da Laguna, de onde depois transferiu-se para a ilha do Desterro, onde permaneceu algum tempo.
Depois com a expansão colonizadora para o interior do território riograndense, Lino da Silva Xavier que havia substituído seu nome pelo de Lino da Silva Brum, obteve concessão de uma sesmaria de terras no interior do Rio Grande, no atual município de São Sepé, onde estabeleceu-se, constituindo a numerosa família Brum existente nesse município e em diversos outros do Estado.
Lino, que procurou sempre guardar o seu segredo, somente o revelou aos seus mais íntimos, no fim de sua longa existência.
Tal a velha tradição guardada vagamente pela família e aqui registrada, apenas com fundamento nessa tradição.
BARNASQUE, Clemenciano. Ephemérides Rio- Grandenses. Porto Alegre: Livraria Selbach de J. R. da Fonseca & cia., 1931. p.101-102.