Filho de estancieiros, Netto nasceu no Povo Novo (município de Rio Grande) em 11 de fevereiro de 1801, e criou-se nos campos da família em Bagé, onde se tornou muito hábil nas lidas campeiras, sendo reconhecido como emérito cavaleiro. Participou de muitos eventos relacionados ao intrincado processo de formação dos Estados nacionais no espaço platino do século XIX, tais como a Guerra da Cisplatina, a Guerra dos Farrapos, a Guerra contra Oribe e Rosas, e em todas as situações de conflito que antecederam e motivaram a Guerra da Tríplice Aliança.
Ao final da Guerra da Cisplatina, em 1828, já era Capitão de 2ª Linha, posto que manteve na Guarda Nacional. No início da Guerra dos Farrapos, Netto já era coronel, e foi dos primeiros seguidores de Bento Gonçalves. Em 1836, pouco antes da derrota e prisão de Bento Gonçalves na ilha do Fanfa, Netto derrotou o legalista Silva Tavares no Campo dos Menezes, próximo a Bagé, e no dia 11 de setembro proclamou a República Rio-Grandense. Promovido a general, após a morte de João Manoel de Lima e Silva tornou-se Comandante em Chefe das armas rebeldes até o retorno de Bento Gonçalves. Durante a guerra, foi mentor do regimento de lanceiros negros, comandados pelo coronel Teixeira Nunes. Depois do armistício, retirou-se para sua estância em Tacuarembó. Em 1851 secundou as tropas imperiais que entraram no Uruguai para combater os blancos de Oribe, formando a Brigada de Voluntários Rio-Grandenses, que no ano seguinte participaria da guerra contra Rosas. Recebeu então o título de Brigadeiro Honorário do Exército Imperial. Em 1864 apoiou o pronunciamiento do colorado Venancio Flores contra o governo blanco do Uruguai, e forçou a entrada do Império no conflito, o motivo para a guerra do Paraguai contra o Brasil.
Assim, regressou ao Rio Grande com sua Brigada para combater os paraguaios em Uruguaiana, portando sempre a bandeira tricolor da República Rio-Grandense. Combateu em Estero Bellaco e Tuyutí em maio de 1866. Faleceu no Hospital de Sangue de Corrientes em 1º de julho de 1866, vítima de cólera, quase 30 anos após a proclamação da República .Rio-Grandense. Decerto não era bem aquela morte que ele esperava naquela guerra!
* CESAR AUGUSTO BARCELLOS GUAZZELLI. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Professor Associado do Departamento e do PPG em História da UFRGS.